Segunda-feira, Julho 6, 2020

Final Cut: o out of the box que entrou na caixa

Eu, que nem sabia que estava na calha uma atualização do Final Cut Pro X… Fui surpreendido na sexta-feira com mais um avanço no software da Apple de edição de vídeo, numa nova versão, a 10.1.2., que vem vincar ainda mais dois pontos: 1) que os utilizadores mais tradicionais deste editor tinham todas as razões do mundo para estarem irritados com a marca californiana quando foi lançada a versão Pro X e, 2) que a Apple se assustou com a contestação do mercado e está finalmente acordada para as exigências dos editores de vídeo, tendo vindo a fazer do Final Cut um produto imparável e a anos luz à frente do grande concorrente da Adobe, o Premiere.

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Eu confesso-me parte do grupo de fãs de Final Cut que foi comprar toda a literatura do Adobe Premiere para mudar de editor de eleição em reação à nova cartada da Apple. Estava zangado. A Apple tinha acabado de pôr no mercado um produto mal amanhado, com falhas indesculpáveis, num crasso retrocesso sobre aquele que era até então o melhor editor de vídeo disponível. O mercado reagiu mal quase em uníssono e estou certo de que a Apple (à data ainda de Steve Jobs) terá levado um monumental pontapé nas vendas (enquanto a Adobe esfregava as mãos de contente com os adeptos do seu Premiere que inesperadamente conquistava). Ao fim e ao cabo, estávamos a falar do desaparecimento de funções básicas, como a edição multicâmara e a exportação EML, em troca de bandeiras como a linha de edição magnética e a nova estrutura linear, que atrapalharam mais do que ajudaram pela necessidade de reaprendizagem a que obrigou.

Uma das grande vantagens do Final Cut antigo (a versão 7) residia na integração com as ferramentas de colorização que Apple na altura disponibilizava. Isso, o novo Final Cut ainda não recuperou, mas, lentamente, o software tem vindo a recuperar os requintes de perfeição de outros tempos.

Pouco tempo depois, a Apple lá recomeçou lentamente a repor as funcionalidades perdidas e ontem, na nova atualização, chegou um grande avanço na gestão de ficheiros e em novos codecs que me parecem, até testes mais profundos, irrepreensíveis (sim, agora há um ProRes 4444 XQ que me parece magicamente perfeito). Em atualizações anteriores tinha já chegado uma edição multicâmara mais eficiente do que nunca e um interface de utilizador praticamente perfeito. Faltam certos pormenores ainda, é certo, como as fantásticas ferramentas de colorização que o Final Cut antigo (antes do Pro X) tinha, mas já não me vejo a trabalhar com outro software.

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Ou seja, a Apple, afinal, conseguia fazer um produto bem feito. Mas não o fez e colocou à venda um software precipitado. Não sei o que ganhou com isso, mas tivesse esperado para embrulhar melhor o que tinha em mãos e teria poupado a sua reputação e teria evitado a imagem de que se está a borrifar para as necessidades dos seus clientes.

E, é verdade, não resisti ontem a aceitar a atualização a meio de um trabalho que tenho em mãos e para ser entregue até terça-feira, um erro de palmatória com todos os riscos que comporta, mas… curiosity killed the cat.

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