Walter Rothwell dedica-se de corpo e alma à fotografia de rua. Aplica-se ao estilo com o velho método da persuasão, em caminhadas durante horas para encontrar a imagem perfeita. É em película que deixa o legado do seu olhar e, mais recentemente, quis complementar o seu estilo ao formato panorâmico. Podia fazê-lo fotografando com grande angular para depois cortar ao enquadramento certo, mas se isso é tarefa fácil no digital, usando os velhos haletos de prata o método revela-se bem mais complicado e com resultados que deixam muito a desejar.

A solução encontrada estava ao alcance do eBay, esse grande compincha dos fotógrafos aos quatro ventos. Comprou uma Hasselblad Xpan e é com este equipamento que tem feito algumas das melhores imagens de rua que tenho visto ultimamente, com um aspecto cinemático de fazer crescer água na boca.

 

Segundo explica Rothwell no Street Photography London, o interesse pelo formato panorâmico surgiu muito lentamente, quando começou a notar que quando enquadrava as suas imagens imaginava-as sempre de uma forma panorâmica. Procurou todas as alternativas e depressa percebeu que a Hasselblad era a sua única salvação, pela sua robustez, baixo peso e tamanho reduzido. Não é uma máquina fácil, diz. “Tive dificuldade em manusear a câmara, tornei-me muito lento na focagem [a Hassleblad Xpan usa o velho método de focagem de imagem partida num visor não reflex] e o obturador não reage com rapidez”.

 

Investimento. A Hasselblad Xpan não é propriamente uma novidade do mercado, antes pelo contrário. Pode ser encontrada em sites como o eBay por valores que chegam às 1600 libras. Vem de série com uma lente de 45mm f/4. Permite exposições em fotogramas de 24x36mm ou 24x65mm.

 

Mas o fotógrafo britânico não esconde segredos para ultrapassar a curva de aprendizagem a que a sua nova câmara o obrigava. Passou a utilizar a distância hiperfocal para determinar o ponto de foco e removeu o filtro de homogeneização que a câmara traz de origem, um filtro com uma área cinzenta no centro para tornar a exposição mais equilibrada ao longo de toda a imagem e reduzir a hipótese de vinhetagem (um acessório extremamente útil, sobretudo quando se utiliza película positiva, mas que cortava mais um stop a uma máquina que já se torna suficientemente lenta por não abrir a mais do que f/4). Simultaneamente passou a expor com ISO de 400 puxado a 800.

Como diz no seu testemunho, a Hasselblad Xpan não substitui a sua tradicional 35mm, mas tem sido um excelente complemento para produzir as imagens que assina. Nunca mais a deixou em casa quando sai para fotografar, embora a use com alguma moderação (um rolo dá-lhe para cerca de um mês na rua).

Sobre aquilo de que a câmara é capaz, as imagens de Walter Rothwell falam por si.

 

 

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