Está aí há já uma semana. O novo Capture One, agora na versão 9, é mais um passo da Phase One na guerra dos editores de imagem (editores de imagem em formato RAW, entenda-se). Mas terá sido um passo no sentido certo? Depende… Em termos de qualidade de processamento de imagem, se o Capture One já era, em minha opinião, o meu editor de eleição, agora conseguiu mesmo estar a anos luz da sua principal concorrência. No entanto, há muita coisa que os programadores da Phase One teimam em esquecer.

O novo Capture One, agora na versão 9, dá um salto gigante no processamento e tratamento de imagem com um algoritmo renovado. Mas o segmento de catalogação e arquivo de imagens continua a necessitar de muita atenção, mantendo erros crassos das versões anteriores.

Nos últimos dias, tenho dedicado algumas horas a fazer experiências, comparações e “stress tests” à nova versão do Capture One. Passo a explicar que até há relativamente pouco tempo eu era um fiel utilizador do grande concorrente Lightroom, até que descobri que esta minha fidelidade se devia apenas ao facto de o editor de imagem da Adobe ser o mais utilizado pelos fotógrafos que me estão próximos, o que, numa estratégia de autodidatismo, me catalisou a aprendizagem e a troca de experiências. E sim, com isto sublinho o principal defeito do Capture One: Não é intuitivo e a curva de aprendizagem é muito íngreme, o que implica ter de “lamber” muitos tutoriais do Youtube para se conhecer os cantos à casa. Mas após as primeiras experiências com o Capture One, a empatia acabou por ser bem mais rápida do que esperava. Muito honestamente, os resultados obtidos faziam parecer que tinha feito um upgrade no meu equipamento fotográfico. Mas a migração foi completa? NÃO. O Lightroom mantém (apesar dos mais recentes disparates da Adobe) funcionalidades incomparáveis que estupidamente a Phase One ainda não “copiou”.

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A imagem da esquerda mostra bem o controlo rigoroso do novo Capture One 9, com um algoritmo bastante mais eficaz na saturação de cores.

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Vamos ao que é novo. Para começar, o Capture One 9 vem equipado com um novo algoritmo de processamento de imagem que representa um salto gigante de eficiência no tratamento da cor e do contraste. Se os resultados até aqui já eram de excelência, agora dificilmente serão mesmo alcançados por qualquer concorrente no mercado – neste campo, o Adobe Lightroom parece estar adormecido desde de 2012. A verdade é que o equipamento fotográfico evolui muito de ano para ano, os fabricantes estão constantemente a criar algoritmos novos para os sensores das câmaras e o editor da Phase One tem sabido acompanhar essa tendência, respondendo adequadamente a muitas das necessidades de processamento de imagem de hoje. Enquanto o Lightroom parece tratar todas as câmaras como um denominador comum, o segredo do Capture One é o de saber distinguir em muitos pontos essenciais uma Nikon de uma Canon ou de uma Fuji, por exemplo.

O controlo de curva apresenta agora mais um canal onde a luminosidade é tratada de uma forma independente de qualquer canal de cor.

O controlo de curva apresenta agora mais um canal onde a luminosidade é tratada de uma forma independente de qualquer canal de cor.

Mas vamos ao que verdadeiramente me surpreendeu. A partir desta versão do Capture One, os comandos de Contraste, Brilho e Saturação passam a estar interligados. Ou seja, o modo como qualquer um destes comandos reage passa a ter sempre em conta as correções que já foram feitas com os restantes, numa fina equação que me parece muito bem sucedida. Isto é particularmente útil, por exemplo, no caso da saturação, que pode ser mais ou menos intensa consoante o que já pedimos ao comando do contraste. A diferença entre o resultado final das versões 8 e 9 do Capture One com exatamente as mesmas correções é verdadeiramente surpreendente.

Os controlos de contraste, brilho e saturação funcionam agora interligados, resultando, no conjunto, uma equação mais equilibrada no tratamento da imagem.

Os controlos de contraste, brilho e saturação funcionam agora interligados, resultando, no conjunto, uma equação mais equilibrada no tratamento da imagem.

Outra grande novidade com repercussões sem precedentes no tratamento da imagem é o novo controlo de curva (Curve Tool). Traz duas grandes surpresas. A mais imediata é a de que para além dos típicos canais Red, Green, Blue e RGB, para as cores, passa também a ter o canal de Luma, permitindo fazer correções de luminosidade da imagem de forma totalmente independente dos canais de cor. A forma como a partir daqui se corrige cirurgicamente o contraste sem que isso sature a cor da imagem vale ouro. A outra novidade, tem a ver com o facto de já se poder usar também a ferramenta de curva nas excelentes e tradicionais correções localizadas que o Capture One permite em layers independentes.

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Muito útil é também a criação de máscaras a partir da seleção de uma cor. Neste campo, consegui reduzir talvez para um décimo o tempo despendido com a correção de áreas específicas em algumas imagens. Aqui encontra-se a cereja no topo de um sistema de controlo de cor que era já irrepreensível nas versões anteriores.

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Agora é possível criar máscaras a partir da seleção de uma cor. Aliás, todo o processamento de cor surge agora substancialmente melhorado.

Por alguma teimosia, no entanto, a Phase One insiste em alguns erros difíceis de compreender. E não será por falta de feedback, porque os fóruns de Internet estão pejados de queixas dos utilizadores que não estão a ser mais do que malhanço em ferro frio. A catalogação de imagens está a melhorar significativamente, mas aqui ainda há muito a aprender com a Adobe. O Capture One 9 implementou um novo motor de gestão de tags e keywords, mas navegar pelos meus arquivos de imagens via Capture One continua a ser um desastre. O meu fluxo de trabalho quando descarrego um cartão de imagens por forma a poder usar o Capture One é, no mínimo, ridículo: importo para Lightroom para catalogar e depois vou ao Capture One importar as pastas que o Lightroom criou. Isto para poder manter o excelente e imbatível arquivo do Lightroom. É que pedir ao Capture One, por exemplo, para apenas me mostrar as imagens feitas com a lente X ou com o equipamento Y requer quase uma cábula (no Lightroom é um dos gestos mais fáceis e intuitivos).

O Capture One 9 passa a aceitar também os ficheiros DNG, da Adobe, tratando-os tal e qual como os ficheiros RAW diretos das câmaras. Esta era, de facto, uma grande falha das versões anteriores, mas, ainda assim, não me parece que os resultados sejam tão satisfatórios como os que consigo com o RAW direto da câmara. Mas aqui admito que a Phase One não tenha culpa e podemos estar perante o tal “denominador comum” com que a Adobe trata os fabricantes e equipamento. Posso estar errado, pois posso… mas vou continuar trabalhar com os RAW diretos.

Depois parece haver todo um mundo de melhorias para o módulo de captura direta (“tethering”), mas não sendo utilizador habitual, não fiz neste campo qualquer teste.

Diz também a Phase One – digo isto assim porque não “toquei” nesta parte – que a troca de catálogos entre utilizadores está mais fácil do que nunca. Como já tive de repor catálogos perdidos a partir de um backup no passado e não tive quaisquer problemas em fazê-lo… Mas se está ainda melhor, ainda bem.

Na verdade, o Capture One é quase um segredo bem guardado num mundo em que a Adobe marca claramente a liderança nos utilizadores. Essa liderança traz claras vantagens para o Lightroom, sobretudo pela panóplia de plugins e presets que pululam no mundo dos “Lightroomers”, uma oferta que é bastante mais limitada no caso do produto da Phase One. Mas a grande verdade é que a Adobe precisa de acordar para a vida. O Lightroom não vê uma atualização profunda do seu algoritmo de tratamento de imagem há muito tempo, os updates a cada nova versão são meramente superficiais, e as mais recentes “melhorias” que o fabricante norte-americano reclama nas mais recentes versões têm sido, na verdade, muito mal recebidas pelos utilizadores, que têm vindo a queixar-se de um Lightroom menos funcional e mais pesado em computadores preguiçosos.

Nestas guerras, ganha sempre o consumidor, por isso, assistirei calmamente ao desenrolar da batalha.

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