A propósito de Henri Cartier-Bresson e da exposição que inaugura hoje no Porto no Edifício Axa – L’Imaginaire d’Aprés Nature – ocorreu-me que ficou famosa a sua passagem por Portugal em 1955. Reza a lenda que não terá gostado muito do que por cá viu, apesar de ter disparado a sua câmara aos quatro cantos de terras lusas.

© Henri Cartier-Bresson/Magnum Photos

© Henri Cartier-Bresson/Magnum Photos

Bresson será, garantidamente, a influência mais popular da fotografia de documentário que ainda hoje se usa e boa parte do seu portefólio é amplamente conhecido, mas as imagens por si produzidas em Portugal estão dispersas, vão se encontrando aqui e ali e o prazer de as reencontrar apenas nos é garantido pelos motores de busca da Internet.

Com muita pena minha, nunca tive oportunidade de ver reunidas num só espaço as imagens de HCB feitas em Portugal, nas quais, ao que investiguei, se retrata o quotidiano de Lisboa, Cascais, Estoril, Sintra, Óbidos, Nazaré, Coimbra, Porto, Amarante, Lamego, Tomar, Alpalhão, Castelo de Vide, Marvão e Estremoz.

© Henri Cartier-Bresson/Magnum Photos

© Henri Cartier-Bresson/Magnum Photos

O fotógrafo “português” Gérard Castello-Lopes foi o grande promotor de uma exposição com algumas destas imagens em 2004, que terá sido complementada com um catálogo da Assírio & Alvim, mas não só já lá vão dez anos como os vestígios dessa mostra estão um pouco por nenhures. Pelo site da Magnum, não há também sinais de obra que reúna essas imagens de cenário português (e porque haveria de haver?).

© Henri Cartier-Bresson/Magnum Photos

© Henri Cartier-Bresson/Magnum Photos

Henri Cartier-Bresson fotografou Portugal e os portugueses em 1955, numa das suas passagens pelo país. A coleção completa de fotos não é fácil de encontrar sem alguma pesquisa profunda.

Ao ler hoje sobre a exposição que arranca no Porto, fiquei com uma súbita vontade de vasculhar na net à procura das tais imagens captadas em Portugal. O pouco que encontrei é o que já tinha visto, menos do que uma mão de fotos, mas que dão imediatamente uma demonstração da forma de documentar os portugueses de Bresson. E por isso proponho-me o desafio de ir à procura de todas, uma por uma, e degustá-las à luz de um trabalho maior do fotógrafo, o de um documentário sobre um país que, ao que parece, achou ser demasiado atrasado e excessivamente católico. Isto até que alguém que siga as pisadas de Castello-Lopes decida expô-las de novo para quem as quiser ver.

Fica a ideia.

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