Sim, pode dizer-se que é uma das notícias do momento no mundo da fotografia. A legião de fãs da Kodak vai poder voltar a fotografar com o famoso Ektachrome. O anúncio foi feito ontem em Las Vegas (e através de um comunicado de imprensa) marcando claramente o momento mais mediático até agora da edição de este ano do CES, o mais famoso encontro anual da eletrónica de consumo de onde saem sempre grandes novidades para os amantes da fotografia. ektachrome-kodachrome-dsc_0059-crop

Não é para já, é lá mais para o final do ano, porque a empresa terá de ressuscitar a técnica de fabrico de uma das películas mais complexas de sempre e os ensaios poderão demorar meses. E se a Kodak foi uma das primeiras marcas emblemáticas a entrar na câmara da morte por não ter conseguido adaptar-se ao novo mundo do digital, poderá ser agora também a primeira a trabalhar com perspicácia a tendência que está a querer vincar-se de regresso à fotografia em película. Será que já assistimos a isto também no mundo da música com os discos de vinil?

O Kodak Ektachrome é um filme positivo (popularmente conhecido por slide) com uma personalidade muito própria nas cores que conseguia reproduzir, na beleza ímpar do grão e na gama de dinâmicos alargada sem perda de contraste. Traços distintos que conquistaram uma legião de fãs tanto na indústria da fotografia como do cinema. A Kodak anunciou o fim da produção deste filme icónico em 2012.

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Vamos por partes. 1) O envento é dedicado à eletrónica de consumo e o que de mais bombástico de lá saiu até agora é o relançamento de um produto não eletrónico, o que mostra claramente que o mercado está entusiasmado com o regresso da fotografia em película; 2) A Kodak está seguramente a posicionar-se para um renascimento da indústria da película fotográfica e já tinha dado esse sinal quando prometeu o lançamento de uma nova câmara de filmar Super 8; 3) Quem acompanha discussões e foruns de fotografia sabe que cada vez mais fotógrafos estão a torar-se (ou a manter-se) adeptos da película.

Em boa verdade se diga que muitas marcas optaram por não abandonar o fabrico da película e, nesse campo, a Ilford e a Fuji continuam a ser nomes fortes da indústria, até pela tal personalidade que cada tipo de película consegue ter e que, de certa forma, continua a ser impossível de reproduzir com a fotografia digital.

Com o anúncio agora da Kodak, não tenho dúvidas de que o mercado mais revivalista se sentirá mais ansioso por matar saudades dos velhos tempos dos haletos de prata. Este é, aliás, um assunto que me fará voltar a bater aqui no tema. Por isso creio ser objetivo quando digo que deste CES já saíram boas notícias.

E agora, marcas que têm aí trunfos tecnológicos também para largar no CES, batam lá o sucesso do anúncio da Kodak.

Boas notícias para além da fotografia

As boas novas da Kodak não surgem apenas para fotógrafos. Os habitantes de Rochester, nos Estados Unidos, vão voltar a ver funcionar uma das indústrias que eram principais motivadoras de emprego na região. O (talvez exagerado) prenúncio de morte da Kodak afetou drasticamente a economia de Rochester. Por isso 2017 já promete ser um bom ano por aquelas bandas, uma vez que o renascido Ektachrome irá ser produzido na velha fábrica.

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