A Adobe sentou o seu comité comercial à volta de uma mesa e de todo o esforço intelectual nasceu o Adobe Lightroom… Classic. Serei só eu a achar que “Classic” não é lá grande nomenclatura para um produto de onde o que se espera é inovação? O gigante norte-americano de software gráfico ainda não percebeu que o equipamento fotográfico está a evoluir exponencialmente e que o mundo não parou no tempo. O mais do que célebre software de edição de fotografia já merecia um esforço um bocadinho maior.

Com a luz de outono deste ano chega-nos a grande “novidade” da Adobe. Até aqui existia um Lightroom CC que continha o Lightroom mobile, um módulo que permitia criar uma réplica das fotografias do catálogo em cloud para se aceder a partir de outros dispositivos. A partir de agora, este produto é partido em dois. O Lightroom como o conhecemos deixa de conter o Lightroom mobile e muda de nome para Adobe Lightroom Classic. Numa opção de compra à parte passa então a existir o antigo Lightroom mobile, agora a chamar-se Adobe Lightroom CC, que funciona exclusiva e obrigatoriamente em cloud. E os preços desta nova modalidade? Mais de 12 euros por mês (IVA incluído) por cada terabyte (Tb) de fotografias armazenadas. Parece confuso? Aqui vai de forma esquematizada:

Lightroom Classic CC: É o novo nome, a partir de agora, do tradicional Lightroom. Deixa de conter ligação ao módulo de mobile e, de acordo com a Adobe, tem melhorias de desempenho operacional. Continua a fazer parte do pacote integral por subscrição mensal Creative Cloud.

Lightroom CC: Herda o nome do Lr tradicional, o que só contribui para a confusão, mas não passa da autonomização do módulo mobile que existia integrado no programa. Todas as fotografias importadas terão obrigatoriamente de ir para a cloud, mas poderão ser trabalhadas em outros dispositivos, incluindo tablets e smartphones. A compra inclui 1Tb de espaço para cloud, mas podem ser comprados Tb adicionais até um máximo de 10Tb. Não está incluído no pacote integral Creative Cloud.

Pode ser que me engane, mas isto permite-me dois exercícios de adivinhação. Por um lado, os fotógrafos mais veementes da sua atividade tendem a consumir espaço de disco que nem copos de água fresca no deserto. Ora isto a cerca de 12 euros por Tb poderá levar o “novo” Lightroom CC a encargos mensais de três dígitos com alguma rapidez (porque, efetivamente, a Adobe já deixou claro que não é possível usar o Lightroom CC sem colocar os ficheiros na cloud). Por outro, quer-me parecer (apesar de a Adobe obviamente dizer que não) que a aposta neste novo produto 100% cibernético irá desmotivar o fabricante de investir em inovação no produto clássico, o Lightroom tradicional que hoje conhecemos e que já de si não tem sabido acompanhar a evolução das câmaras nos seus algoritmos de processamento.

Vamos então aos preços sugeridos neste momento pela Adobe para Portugal. Por 12,29 euros por mês (IVA incluído) podemos ter o Lightroom CC, o Lightroom Classic CC e o Photoshop, mas apenas 20Gb de espaço em cloud. Se quisermos o prometido Tb de espaço, este valor já só nos permite ter o Lightroom CC e nada mais. Se quisermos tudo (Photoshop + Lr Classic + Lr CC + 1Tb de espaço), a fatura mensal sobe aos 24,59 euros. Em cima destes valores acresce 12,29 euros mensais por cada Tb adicional de espaço até um limite de 10Tb.

Seria cínico da minha parte deitar ao tapete as virtudes de ter as fotografias em cloud. Eu próprio sofro de cloudite compulsiva e invisto seriamente no backup do meu trabalho em “nuvens cibernéticas”. A vantagem de trabalhar na edição de um ficheiro em tempo real a partir de uma cloud afigura-se-me paradisíaca, mas não me parece que o preço a pagar por isso com a Adobe seja razoável para quem tem vários discos de espólio fotográfico catalogados no Lightroom. Mas em cima de tudo isto, o que se evidencia mais grave é continuar a ver o Lightroom estagnado no tempo e quando se aguarda ansiosamente pela grande novidade do ano do seu fabricante, o que é novo é pouco mais do que o nome.

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