E se há o risco de a humanidade não conseguir salvar todas as espécies em vias de extinção, então que exista pelo menos um testemunho, um documento, que preserve na memória a sua existência. Foi esse o desafio de Joel Sartore, fotógrafo da National Geographic, que tem vindo a dedicar-se a criar a maior “arca fotográfica” do mundo. E esse é um trabalho que chega agora a território português.

© National Geographic, Joel Sartore

Sartore usa uma técnica de estúdio em detrimento da fotografia de campo. O resultado é um trabalho de retrato de animais em vias de extinção que se distingue pela originalidade.

Portugal é o primeiro país da Europa a receber uma das exposições de fotografia mais originais sobre biodiversidade. A National Geographic traz até à cidade do Porto, desde a semana passada e até abril, o projeto internacional Photo Ark, uma mostra de fotografias de Joel Sartore, o homem por trás da câmara que se propôs fotografar todas as espécies em cativeiro do mundo.

© National Geographic, Joel Sartore

Segundo explica o fotógrafo, o intuito do projeto é levar as pessoas a encantarem-se pela biodiversidade do nosso planeta e a protegê-la. Tendo por base esta ideia, que perdura há 11 anos, Sartore já reúne presentemente imagens de mais de sete mil espécies. E o fotógrafo da National Geographic promete não se ficar por aqui: o objetivo é conseguir reunir no Photo Ark 12 mil fotografias de espécies cativas, porque este é, considera, o “momento de agir”.

 

Como começa o Photo Ark?

Em 2005 a mulher de Joel Sartore, Kathy, foi diagnosticada com um cancro da mama. O volte face familiar obrigou o fotógrafo a fazer uma pausa para acompanhar a família e cuidar dos três filhos. Durante um ano inteiro, o interregno fê-lo pensar na vida e na sua carreira, e foi no decurso desse período que se inspirou no ornitólogo americano John James Audubon, que pintou no século XIX várias aves que sabia que iriam estar extintas num futuro próximo (e que efetivamente já desapareceram).

© National Geographic, Joel Sartore

George Catlin, Edward Curtis e outros pintores e fotógrafos ajudaram também a catalisar na mente de Sartore a questão de como poderia levar as pessoas a preocuparem-se com o facto de podermos perder metade de todas as espécies do mundo até ao final do século. Levou a ideia até ao presidente do Jardim Zoológico Lincoln Children’s, John Chapo, um amigo seu, e pediu autorização para fotografar alguns animais.

A técnica usada por Joel Sartore para pôr em prática esta ideia assume também contornos de originalidade. As imagens são maioritariamente conseguidas com produção estúdio, conferindo uma filosofia de retrato ao trabalho, contrariamente ao que conseguiria com fotografia de campo. Assim, chegado ao zoológico para fazer a primeira imagem, o fotógrafo pediu apenas um fundo branco e um animal que permanecesse quieto.

© National Geographic, Joel Sartore

Randy Scheer, o curador do zoológico, sugeriu um rato-toupeira-pelado e, por incrível que pareça, esta criatura pequena e humilde inspirou Joel Sartore na sua missão de fotografar as espécies cativas do mundo e levar o público a preocupar-se com o seu destino.

Assim nascia o projeto Photo Ark, que, através da comovente documentação de extraordinários animais cativos em todo o mundo, dá voz à biodiversidade, reclamando a sua preservação.

A exposição

A exposição Photo Ark é-nos trazida para Portugal pela National Geographic e vai estar em exibição na recém-inaugurada Galeria de Biodiversidade – Centro de Ciência Viva do Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto (ver informação e horários aqui).

São 250 m2 de exposição onde podem ser apreciadas cerca de 40 fotografias, infografias e vídeos. De acordo com a Executive Vice-President da National Geographic Partners em Portugal e Espanha, Vera Pinto Pereira, “O projeto Photo Ark é uma das missões mais importantes da National Geographic. Através do extraordinário trabalho de Joel Sartore, esperamos inspirar e sensibilizar os portugueses para esta missão. Sabemos que até os mais pequenos gestos podem ter um impacto muito positivo no futuro destas espécies e do mundo animal. Por isso é tão importante mobilizar todos, porque todos podemos fazer a diferença.”

Quem é Joel Sartore

© National Geographic

Joel Sartore é, há mais de 20 anos, um conceituado fotógrafo, porta-voz, autor, professor, conservador, parceiro e colaborador regular da National Geographic. Desde cedo, Joel Sartore revelou interesse pela natureza e os seus primeiros trabalhos para a National Geographic introduziram-no na fotografia de natureza. Desde então, e muitas cicatrizes e sustos depois, teve já oportunidade de fotografar uma vasta variedade de espécies como lobos, ursos, leões elefantes e ursos polares.

Em 2006, abraçou o projeto de criar uma documentação fotográfica de 12 mil espécies de animais cativos e em vias de extinção. O resultado é a maior “arca fotográfica” de animais do mundo.

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