A ideia é excelente, mas o resultado ainda é coxo. Por enquanto…

O fotógrafo Mike Wong sentiu a necessidade de criar um mapa mundial das “zonas quentes” para fotografia. E transformou algo semelhante aquilo que eu tenho feito com amigos fotógrafos de uma forma privada num quase “serviço público” para fotógrafos, identificando num mapa (tendo por base o mapa da Google) os pontos mais fotografados do mundo. E assim nasceu o PhotoSpots, dirigido sobretudo a fotógrafos de paisagem e de viagem.

É quase perfeito. E falta o quase porque o mapa vai buscar informação apenas ao site 500px, o conhecido portal de partilha de imagens, pelo que está limitado ao que é veiculado por aquela rede. E como o projeto é muito recente, ainda só foi buscar informação de dezembro e janeiro. Mas como diz o autor, é dar-lhe tempo.

Mas será que eu quero chegar à Praia da Adraga e encontrar um areal que mais parece o grande festival do tripé? Ou fazer a fotografia que 300 mil fotógrafos já fizeram? O projeto de Mike Wong é de grande utilidade tanto para o que se quer procurar como para o que não se quer encontrar.

A título de exemplo, se fizermos uma aproximação sobre Portugal, vemos que os “pontos quentes” do país por lá identificados estão longe de ser dos mais interessantes, o que faz ainda da ferramenta algo ainda pouco fiável para quem ali vai à procura de roteiro aconselhado.

Diz Wong, quando apresentou hoje o projeto no Reddit, que adora viajar e descobrir novos locais para fotografar, e que por isso passa a vida a pesquisar o Google Maps, pelo que há algumas semanas achou que poderia ser interessante poder ver-se onde outros fotógrafos têm andado a fotografar.

O PhotoSpots permite até filtrar as imagens por meses específicos através de um slider temporal. Uma funcionalidade que, presumo eu, venha a ser bastante mais útil quando o mapa agregar uma série temporal de imagens muito alargada, daqui por uns tempos.

Mas nós queremos um mapa assim?

Uma fotografia tem valor se comunica com quem a vê. E tal como em qualquer outro meio de comunicação (escrita ou visual), o que surpreende ou o que é mais diferenciador tem sempre um interesse acrescido. E por isso, com a “democratização” do ato de “tirar fotografias” (o que é bastante diferente de “fazer fotografias”), o desafio é cada vez maior. Um fotógrafo hoje torce-se muito mais por fazer algo diferente e inovador. E por isso mesmo talvez este mapa idealizado por Mike Wong nos possa mostrar precisamente de que sítios fugir, evitando, por exemplo, os 300 mil tripés que a cada domingo estão espalhados pelo areal da Praia da Adraga.

Parece esta minha visão um bocado arrogante? Talvez. Mas sim, tenho para mim que, tal como uma boa receita de cozinha por vezes tem os seus segredos, também um dos segredos de algumas imagens muito bem conseguidas esteja no local.

No entanto, não deixo de tirar o chapéu a Mike Wong. A iniciativa é de louvar e o mapa, depois de bem sustentado no tempo, será muito útil para todos. E quando digo para todos, é para todos mesmo.

 

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