Bom, o alarido já vai grande com a “Super Lua” de hoje. O entusiasmo parece andar à solta depois de se vincar a ideia de que esta é a maior “Super Lua” dos últimos 68 anos e o satélite natural da Terra promete já protagonizar o serão de muitos que já agendaram para esta noite sessões de visionamento e de fotografia. O fenómeno, na verdade, não é assim tão raro: Em outubro houve uma “Super Lua” e em dezembro, no dia 14, vamos ter outra, num fenómeno que praticamente todos os anos dá o ar da sua graça. Porque é que a de hoje é diferente? Porque efetivamente há 68 anos que não havia uma lua cheia tão próxima da Terra. Porém, desengane-se quem achar que a “Super Lua” de hoje vai ser muito diferente das outras. A Lua hoje está a aproximadamente 356.500 km de nós e no dia 14 de dezembro vai estar a 359.450, ou seja, “apenas” três mil quilómetros mais distante. Faz com que tecnicamente seja verdade que hoje é a mais próxima desde 1948, só voltando a sê-lo em 2034, mas à vista desarmada todas as “Super Luas” acabam por ser semelhantes. O que interessa é que, em média, uma lua cheia destas é 13 a 14% maior e cerca de 30% mais brilhante e, creio que aqui todos concordamos, contemplá-la com toda esta força vale sempre a pena.

Posto isto, uma lua maior e mais brilhante é sempre motivo para apreciar com outros olhos a nossa mais fiel luz da noite, com toda a sua beleza e esplendor. Por isso, e muito rapidamente, aqui vão meia-dúzia de dicas para quem quer imortalizar o momento numa boa fotografia.

  1. Como já se referiu, a Lua cheia de hoje estará cerca de 14% maior e 30% mais brilhante. Significa que até um telemóvel com uma boa câmara poderá guardar de forma bem visível o disco redondinho e brilhante que nos acompanhará durante toda a noite.

  2. Há que aproveitar as primeiras horas de Lua. A hora do “nascer” varia de ponto para ponto, mas em Lisboa, por exemplo, é às 17h49, fazendo a sua aparição no horizonte Nordeste (para quem procura precisão, nos 74,2º). Não é porque a lua seja maior a essa hora (porque embora pareça, não é), mas porque ainda há alguma luz de crepúsculo no céu que ajuda a criar silhuetas interessantes na paisagem.

  3. Se tem equipamento de gamas mais avançadas para fotografar (DSLR, por exemplo) , use a sua lente de maior focal que tiver. O ideal seria de 500mm para cima, mas 300mm já não é mau. Para já não falar de quem tem sistemas para acoplar câmaras a telescópios.

  4. Procure uma referência bem terrena no horizonte para incluir na sua composição fotográfica. Não só porque enriquece a fotografia como ajuda a dar uma noção de dimensão.

  5. A lua é extremamente luminosa. Hoje, será mais ainda. Faça vários disparos de teste antes de chegar à exposição final. Faça uma leitura de luz pontual mesmo no disco da Lua e vá explorando as margens de erro à volta desse ponto. Vai perceber que a exposição não será particularmente longa e por isso não será fácil manter o horizonte bem exposto num momento do dia em que já é quase de noite.

  6. Não se deixe enganar pelo que vê com os seus olhos. A câmara fotográfica vê a lua de uma forma diferente da sua. Já ouviu falar da chamada “Ilusão da Lua”? É que aquele “gigantismo” da lua junto ao horizonte quando nasce não é mais do que uma ilusão de ótica. E a sua câmara e as suas lentes não vão em ilusões de ótica.

Agase-lhe, que vai estar frio, e usufrua da vista hoje, aproveitando a sorte de estarmos com céu limpo em boa parte do território português. Procure horizontes sem obstáculos (mais fácil no campo) e divirta-se a fotografar.

 

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