Para variar, é daqueles fenómenos que em Portugal dificilmente conseguirão ser fotografados, predominando, no entanto, nas Américas, onde na última semana têm sido reiteradamente fotografados por fotógrafos mais atentos de céu noturno. E para os que andam distraídos, é levantar o nariz, porque este fim de semana os céus dos Estados Unidos poderão ser particularmente ricos no visionamento destes “fantasmas”. E não, não são assombrações do ar, embora durante muitos e bons anos houvesse quem achasse que sim. São descargas elétricas a partir da parte superior das nuvens numa tempestade e que, com algum cuidado, técnica e prática, está fotograficamente ao alcance de quem captura imagens à noite. Chamam-se “sprites” – nome emprestado pela designação de “espíritos do ar” – e assemelham-se a manchas luminosas verticais no céu, geralmente de tom avermelhado.

Imagem publicada no site da National Geographic, cortesia de Thomas Ashcraft, www.heliotown.com

Estas “assombrações” já reiteradamente assustaram pilotos de avião pela sua inesperada aparição, sobretudo porque ocorrem a altitudes muito elevadas, mais vulgarmente a 80 quilómetros do solo terrestre, sendo visíveis a enormes distâncias quando se vê o céu acima de nuvens tempestuosas. Se bem percebi a explicação googlada (têm em baixo a caixa de comentários ou acima o link de contacto para quem me quiser corrigir), estando reunidas condições muito específicas, as nuvens carregadas de eletricidade fazem as suas descargas tanto para baixo, para o solo terrestre, sob a forma dos tão conhecidos relâmpagos, como para cima, para a estratosfera, sob a forma destes sprites.

Muitos pilotos de avião fizeram relatos destes “fantasmas do céu” e durante muitos anos o fenómeno, já referenciado por cientistas no século XVIII, ficou por explicar. Agora, o fotógrafo Thomas Ashcraft partilha a técnica para os fotografar, depois de em 1989 um sprite (assim são designados) ter sido capturado em imagens pela primeira vez.

Imagem publicada no site da National Geographic, cortesia de Thomas Ashcraft, www.heliotown.com

Até há 25 anos os sprites não passavam de um mito sob algo que de que alguns cientistas começaram a falar no século XVIII. Mas o fenómeno foi capturado em imagens pela primeira vez por um piloto de uma companhia aérea em 1989 e, desde então, começou a ser alvo de investigação, estando hoje estes “espíritos do ar”, cujo visionamento dispensa qualquer mediunidade, mais do que explicados.

 

Mas como fotografar os sprites?

O fotógrafo Thomas Ashcraft, que tem sido muito bem sucedido na captura de sprites com a sua câmara, explica no site da National Geographic a sua técnica.

1)    Em primeiro lugar, está o planeamento e a escolha do local apropriado, o que passa pela pesquisa das previsões de tempestades num raio de 800 quilómetros nos sites de meteorologia que têm mapas por radar (aqueles mapas que marcam com manchas de cor a superfície terrestre e nos quais o vermelho e o púrpura costumam ser indicação de tempestade).

Mapa meteorológico de radar do site weather.com

Mapa meteorológico de radar do site weather.com

2)    Em segundo lugar, e a partir de um ponto de baixa poluição luminosa, apontar a câmara devidamente apoiada por um tripé para o céu noturno na direção da tempestade, e preparada para exposição sequencial.

3)    Havendo lua, Thomas Ashcraft inicia uma sequência de disparos de dois segundos cada. Não havendo lua, os disparos têm uma duração individual de quatro segundos.

4)    Agora há que ter paciência. É um jogo de sorte e podem ser necessários milhares de disparos para apanhar um singelo sprite. O desespero pode mesmo ocorrer quando ao fim desses milhares de disparos nem um sprite foi capturado. Mas esse é o “fardo” do fotógrafo e quem corre por gosto não cansa…

Ashcraft não explica mais (sobre a abertura usada, ISO ou distância focal). Mas eu apostaria na abertura máxima que a lente permitir e um ISO acima de 2000.

Boa sorte.

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