É em Portugal e é um dos maiores tesouros nacionais. O céu escuro por cima de uma boa parte do Alentejo é património reconhecido pela UNESCO e pela Organização Mundial do Turismo, dando origem à Reserva Dark Sky Alqueva que rapidamente se transformou no vício preferido dos fotógrafos da noite. Pela parte que me toca, lá vou eu ao primeiro estalar de dedos, como neste fim de semana em que o desafio para aproveitar uma via láctea no seu auge em conjugação com a Lua nova e um céu limpíssimo me fizeram passar toda a noite de sábado para domingo sem pensar em lençóis ou almofadas.

Na albufeira do Alqueva, perto de Monsaraz. © Ricardo Salvo

Na albufeira do Alqueva, perto de Monsaraz.
© Ricardo Salvo

Céu escuro sem poluição luminosa é coisa que escasseia pela Europa (provavelmente o continente com as noites mais poluídas pela luz). Bem sei que olhar para cima e vislumbrar apenas meia dúzia de estrelas é um sinal do progresso, mas a verdade é que são já muito poucos os locais onde se pode admirar estrelas às centenas e meteoritos a cruzar os céus às mãos cheias, pelo que a oportunidade de admirar e fotografar os céus junto ao Alqueva facilmente me arranca de casa de equipamento às costas sempre que a possibilidade de o fazer me visita.

Na Reserva Dark Sky Alqueva © Ricardo Salvo

Na Reserva Dark Sky Alqueva
© Ricardo Salvo

A Reserva Dark Sky Alqueva abrange os municípios de Portel, Reguengos de Monsaraz, Alandroal, Mourão, Moura e Barrancos, tendo obtido a Certificação Starlight Tourism Destination, que atesta as características únicas do céu noturno nesta zona do Alentejo. Para saber mais, basta clicar aqui.

Convento da Orada, em Monsaraz © Ricardo Salvo

Convento da Orada, em Monsaraz
© Ricardo Salvo

Uma vez no local, o fotógrafo noctívago tem um mundo de escolhas pela frente para utilizar como cenário para um céu estrelado. Monumentos, igrejas, árvores, lagos, pedras megalíticas, tudo serve a imaginação e a estética para uma boa imagem num local onde, graças ao estatuto de reserva, impera um conjunto de regras de proteção que obriga os municípios da região a cuidados especiais com a iluminação pública e a sua utilização noturna. Os acessos à região são bons, graças à autoestrada A6, que rapidamente nos leva para o interior lusitano, e a oferta turística está mais do que preparada para quem não quer ir e vir no mesmo dia (abundante, com qualidade e a preços acessíveis).

“Astrofotografia – Imagens à Luz das Estrelas”, de Miguel Claro

Recomendo vivamente a experiência. E para quem quer dar os primeiros passos na fotografia noturna, este é o local ideal para rapidamente se tornar viciado em apontar a câmara ao céu da noite, arte para a qual sugiro vigorosamente o livro “Astrofotografia – Imagens à Luz das Estrelas”, de Miguel Claro e publicado pela Centro Atlântico, com todos os ensinamentos necessários à obtenção de boas imagens para “likes” em cacho no facebook. Depois me dirão se tenho ou não razão…

 

 

 

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