Em semana de lançamentos, hoje foi a vez da Canon de acabar com a longa e dura expectativa dos seus seguidores. Após rumores falhados – porque por vezes também acontece – a revelação da nova câmara 7D Mark II é finalmente feita, com início de comercialização algures em novembro. Como em tudo na vida, as desilusões só visitam quem se ilude e, talvez por não estar à espera de nada em específico e por a Canon ter protagonizado algumas asneiras pontuais, não enverguei nenhuma impaciência específica para ver o que aí vinha.
C7DMas aí está, um novo equipamento que, no que é positivo, é mesmo muito positivo (digo eu) e no que é negativo acaba por não ser propriamente imperdoável. Espera-se para a Europa um valor abaixo dos 2000 euros (apenas o corpo), mas ainda é cedo para comentar a justiça deste valor.
Comecemos pelo que desilude: não há um upgrade do sensor para full frame. Mantém-se o formato APS-C, tal como acontecia com a antecessora 7D. Não há muito mais a apontar, para já, e por isso acho que se pode atalhar já para o que considero serem boas notícias.
DIGIC 6 dual. O melhor e mais potente processador do mercado, com a Canon, mais uma vez, na linha da frente e a anos luz da concorrência. No fundo, é a marca japonesa a conseguir superar-se a si própria, mesmo antes de respostas à altura de outros fabricantes. No meio de todas as vantagens que daqui possam surgir, destacar-se-á, certamente, uma imagem (ainda) mais limpa e cristalina quando as condições de luz estão do lado do inimigo (se assim já é com os processadores antigos…).
Velocidade. Mais a gosto da malta do desporto, não sendo a característica que mais me impressiona. Mas cá vai: Capacidade de disparo de 10 fotogramas por segundo até 1000 imagens seguidas (em jpeg). Uau… talvez fosse útil para fotografar os meus filhos nas suas fases mais irrequietas, se eu não fosse fixado no RAW para tudo e mais um par de botas.
Sensibilidade à luz. ISO 100-16000 nativo. Preciso de dizer mais?
Focagem. É neste ponto que a Canon se tornou qualquer coisa de imbatível. Com a 5D Mark III, a marca tinha já dado um salto qualitativo sem precedentes na capacidade de focagem automática. Agora o salto é ainda mais alto: 65 pontos de focagem (isto não é inédito) todos cross type (isto sim, é novo). Será, certamente, a precisão de focagem mais elevada alguma vez conseguida, provavelmente com uma margem de erro próxima do zero independentemente do desassossego do objeto a fotografar. É verdade, parece que vai deixar de ser necessário colocar o objeto no centro da imagem para o focar com precisão independentemente de estar horizontal, vertical ou na diagonal. Só faltou à marca informar se consegue esta proeza em todas as aberturas – geralmente o cross type só funciona em grandes aberturas, superiores a f/2.8.
60 fps em vídeo a 1080p. Esta é para a rapaziada do vídeo e a minha inveja agudiza-se. Acho que com um DIGIC 6 dual, a Canon já podia estar a fazer melhor até do que isto, mas já é algo que eu gostaria muito de ter numa câmara minha.
Sinal de vídeo limpo na saída HDMI. Esta sim. É a correção da mais incompreensível asneira da Canon em máquinas anteriores. A vantagem de poder ligar um gravador externo de vídeo que capte o sinal da câmara sem obstáculos para o gravar em formatos de alta eficiência (ProRes ou realidades mais próximas do RAW), contornando assim o bolorento H264 interno é, de facto, qualquer coisa de admirável.
São estes os pontos essenciais do remake de um modelo que já é um dos mais bem sucedidos da marca japonesa. É um grande avanço, mas também sei que muita coisa fica a faltar. A Canon tem revelado alguma lentidão no progresso dos seus equipamentos, sobretudo no que diz respeito ao vídeo, e é sabido que o potencial das suas câmaras é bastante maior. Alguma razão haverá, certamente, para a Canon não querer assumir no que fabrica as proezas do firmware alternativo Magic Lantern.
Para quem não se interessa pelo vídeo, esta 7D Mark II é talvez o melhor que o ano de 2014 irá pôr no mercado. Para os que se interessam também pelo vídeo, cá estaremos para a chegada de equipamento 4K, frame rates mais elevadas e outras funcionalidades que já não são ficção científica em alguns produtos concorrentes.
Por agora ficamos por aqui. Quando tiver a oportunidade de testar uma Canon 7D Mark II à séria, prometo voltar ao assunto.

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