Ai está a novíssima e tão aguardada versão do Lightroom, que agora adota a denominação das restantes soluções da Adobe, CC (de Creative Cloud). Para quem ainda não aderiu ao formato de licença temporária, este é o Lightroom 6. E então? o que há de novo?

Screen Shot 2015-04-22 at 19.11.03Acho que estamos perante uma evolução suave daquele que já se afirmou como o fiel e melhor amigo da produção de fotografia digital. Isto porque, à primeira vista, nada de disruptivo parece surgir. O interface é o mesmo, os botões estão no mesmo sítio, nada de novo aparenta ter sido acrescentado. Mas bem escondidas, há, de facto, funcionalidades inéditas e com visão. Menos do que seria de esperar face à ansiedade criada, é certo, e provavelmente convidativas apenas para alguns, mas que justificam a meu ver a agenda da Adobe para o lançamento de uma nova versão para lá do que possa ser apenas um gesto de marketing.

Vamos por partes, e seguindo a lógica de fluxo de trabalho natural do Lightroom – não tenho uma relação completa de tudo o que estará diferente (longe disso, até), mas sublinho as novidades que são mais prontamente referenciadas pela Adobe e que já tive o prazer de experimentar.

Logo no primeiro arranque do software somos presenteados com a novíssima funcionalidade de reconhecimento facial. Estranho é, aliás, que só agora surja algo tão simples e já tão corriqueiro em softwares de baixo custo e até gratuitos. Depois de longas horas de indexação do nosso catálogo, somos agora convidados a reconhecer e a dar nome a rostos que surgem numa grelha para que, futuramente, o Lightroom consiga arrumar e catalogar fotografias com pessoas automaticamente. É muito útil, poupa horas e horas de catalogação, é certo, mas o tempo dirá se o algoritmo de reconhecimento facial funciona bem.

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Logo no módulo de “importação” existe agora uma nova opção: Adicionar as imagens ao catálogo já arrumadinhas numa coleção.

Já no campo operacional, começando pelo módulo de “Importação”, a grande novidade está na possibilidade de se importar imagens para o catálogo já dentro de uma coleção (já criada previamente ou a criar na hora). Até aqui, estávamos limitados a colocar etiquetas nas imagens (como viagem x, paisagem, urbano, retrato, etc.), pelo que, pessoalmente, arrumava as imagens no meu disco acrescentando o nome da sessão ao nome dos ficheiros (o Lightroom permite essa funcionalidade no ato de importar para o catálogo). Uma vez no módulo de “Biblioteca”, confesso o meu habitual desprezo pela criação de coleções, que ao serem criadas por tudo e por nada rapidamente chegariam às centenas, falhando olimpicamente o propósito de arrumação organizada. Mas acho que isso vai mudar, porque, para além da nova funcionalidade na importação, posso a partir de agora, com o Lightroom CC, usar filtros para as coleções (mostrar apenas, por exemplo, todas as coleções que contenham a palavra viagem, ou casamento, ou montanhas…).

Ainda sobre as coleções, o novo Lightroom traz a funcionalidade da sua sincronização com o Lightroom Mobile muito mais espontânea e eficaz, o que permite partilhar rapidamente uma sessão de fotos para visionamento por outras pessoas quase à moda de uma Dropbox® – até aqui, o processo não era tão intuitivo.

Mas é óbvio que estas não são as grandes bombas que a Adobe tinha para lançar com o Lightroom CC (ou Lightroom 6, se preferirem). A criação não destrutiva de panoramas e HDR é a grande coqueluche da coisa. Parece coisa pouca? Vejamos…

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Uma forma mais intuitiva de sincronizar e partilhar as imagens em cloud trará mais adeptos para esta funcionalidade.

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O Lightroom CC agarra na quantidade que quisermos de fotografias, seja meia dúzia ou uma dúzia de ficheiros com 30 ou 40 megabytes cada, e propõe-nos um panorama limpinho, certinho e arranjadinho em segundos (a parte demorada fica para a exportação final, que agora até é feita em segundo plano). E mais… Depois de exportar, este panorama mantêm-se em qualidade RAW, para toda a pós produção não destrutiva que muito bem entendermos.

O mesmo acontece para criar uma imagem em HDR, e aqui então dá-se magia pura. Não é fácil fazer-se um bom HDR e a tendência para “apalhaçar” uma imagem é gigantesca. É dos HDR que nascem muitas fotografias com o exclusivo propósito de colecionar “Likes” no Facebook©. Mas convenhamos que um HDR bem feito, com sobriedade, pode ser uma obra de arte. E é neste campo que o Lightroom CC nos dá agora uma mãozinha, acabando com muitos braços de ferro sobre qual o equipamento com a maior gama de dinâmicos. Numa sessão de fotos para HDR com, imaginemos, 2 stops de intervalo entre si (a exposição correta, a subexposta a -2 e a sobrexposta a +2, por exemplo), três ou quatro gestos na nova versão produzem um resultado final no mais puro RAW de 16 bits (é aqui que começa a magia) sobre o qual ganhamos uma latitude de edição posterior de deixar a boca aberta. Aplicar filtros graduados, correção de exposição, mexidas tonais e muito mais passa a ser possível sem qualquer dano (percetível). Uma funcionalidade que para o fotógrafo de paisagem será puro mel (não, não se trata de fazer aquelas imagens de cores artificiais que mais parecem saídas de alguma realidade paralela, com todo o respeito por quem as aprecia).

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O Lightroom CC não é uma revolução. Estamos perante uma evolução mais suave do que seria de esperar.

 

A aplicação de filtros graduais e radiais conta agora também com uma nova funcionalidade verdadeiramente útil. Tanto num caso como noutro, passa a ser possível fazer a mesma correção destes filtros de forma pontual fora da área abrangida. Provavelmente não me fiz entender, eu sei, mas imaginemos uma imagem de uma paisagem em que aplico um filtro gradual vertical para escurecer apenas o céu. Com a combinação de teclas Shift+T, o cursor transforma-se agora numa cruz com a qual, clicando com o rato, posso adicionar mais do mesmo escurecimento em outras zonas fora da abrangência do filtro. Corrigindo posteriormente a atuação desse filtro, estarei a corrigir de uma só vez todas as áreas intervencionadas (é experimentarem e vêem logo do que estou a falar).

A Adobe brande ainda uma gigante bandeira para a otimização da nova versão, recorrendo à aceleração da placa gráfica. Teoricamente, a capacidade de processamento de imagem para visualização em tempo real é agora significativamente mais rápida, o que ganha mais notoriedade em monitores de grande dimensão (4K e 5K). Eu, no meu singelo monitor de 15”, não tive ainda o gosto de gozar desta nova funcionalidade (ou, pelo menos, perceber a diferença).

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Estranhamente, a Adobe mantém no novo Lightroom o algoritmo de processamento de 2012.

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O interface do utilizador não sofreu grandes alterações. Tudo está nos sítios a que já nos habituámos.

Há mais pequenas coisas. Nos próximos dias, vou entreter-me a descobrir tudo o que há de novo. Parece que há uma funcionalidade equivalente à correção de olhos vermelhos, mas para animais (Pet Eye), a funcionalidade de reenquadramento tem agora um botão “Auto” que nivela automaticamente a imagem, os sliders de edição passam a avançar, como opção, em incrementos de 1/6 de stop (em vez do 1/3 de stop até aqui) para uma maior precisão, entre outras coisas nos vários módulos (geolocalização, exportação para web, produção de livros e impressão).

Concluindo, não estamos perante uma revolução. Com a versão CC, o Lightroom não toca nos algoritmos de processamento, que estão congelados desde 2012, o que é estranho e que arrisca dissabores à Adobe no futuro face ao desenvolvimento do rival Capture One, que neste campo parece já estar à frente. Não alterar de forma assustadora o interface de utilizador, como agora está na moda (e como a própria Adobe fez com o Photoshop CC), parece-me um gesto sensato (aqui, foi o Capture One que caiu no erro, há uns tempos, perdendo adeptos para o Lightroom). O Lightroom 5 (que já ia na versão 5.7) já precisava de um gesto de marketing como este e, sinceramente, esta poderá ser uma técnica de atrair utilizadores para o programa de licenças temporárias Creative Cloud, até porque, repare-se bem, é cada vez mais difícil encontrar no site da Adobe o caminho para a compra da licença perpétua, onde o programa se chama Lightroom 6.

Pela parte que me toca, continuo a acreditar que o Adobe Lightroom é a melhor solução do mercado tanto para a organização de qualquer fotógrafo como para a revelação das suas fotografias.

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