Começo pelo disclaimer: a Fotonature é uma iniciativa de amigos, o que pode tornar ligeiramente suspeita a minha apreciação. E perante esta frase de introdução, este texto tem, acima de tudo, o intuito de felicitar os seus criadores pelo sétimo aniversário de um projeto que soube marcar a diferença num mercado onde pululam cursos e cursinhos de fotografia de vão de escada.

Confesso-me cético no que diz respeito a workshops de fotografia e não escondi precisamente aos responsáveis da Fotonature este meu descrédito. As máquinas fotográficas tornaram-se acessíveis, muita gente quis partir para o investimento em equipamento mais sofisticado sem saber o que estava a comprar e esquecendo-se que para se ser bom cozinheiro não basta ter um bom fogão. Com esta onda rapidamente surgiu uma vaga de oportunismo furioso de ensino de trazer por casa e completamente irresponsável ao qual se veio aliar a moda dos workshops – não é só na fotografia, hoje há workshops para tudo e mais um par de botas.

O cada vez mais fácil acesso a câmaras fotográficas, com maior sofisticação e a preços cada vez mais baixos criou uma oportunidade de mercado para o ensino da fotografia. Mas entre os muitos cursos que existem hoje no mercado, é preciso saber escolher.

Mas o meu primeiro contacto com a Fotonature foi também o primeiro passo para o quebrar deste preconceito. Aproximei-me para espreitar como era a iniciativa da qual um grande amigo meu era (e ainda é) protagonista e dificilmente consegui esconder a positiva surpresa face ao que vi, num misto de inveja e de contentamento por existirem projetos assim. Os seus quatro membros sabem o que fazem, levam muito a sério o ensino da fotografia e quem começa a frequentar os seus cursos evolui visivelmente, dando saltos qualitativos inacreditáveis com um par de workshops. Têm vários cursos espalhados pelo ano – inseridos num calendário muito bem sustentado – que vão desde a teoria à expedição fotográfica, passando pela composição, edição, pós-produção e, de uma forma mais prática, cursos especializados em fotografia de paisagem, fotografia de rua, fotografia noturna e astrofotografia (só lhes falta mesmo a fotografia documental, mas isso pode ser um vício meu de jornalista, até porque seria difícil partir para a aula prática).

Fotonature, a genuine experience in photography from Ricardo Salvo on Vimeo.

Porque é que a Fotonature não é mais do mesmo face a muito do que anda por aí pelo mercado? Em primeiro lugar porque já andam nisto há sete anos, muito antes da onda de oportunismo recente de quem acha que sabendo o que é a abertura, o obturador e a profundidade de campo sabe o suficiente para ensinar. A coisa partiu mesmo de uma paixão pelo ensino e pela partilha do que sabem, e a forma como o fazem é envolta numa responsabilidade olímpica. Quem experimenta os cursos fica viciado e acaba por frequentar quase todos os do programa anual.

Este ano a Fotonature comemorou o aniversário com a abertura de uma galeria de fotografias no site. Os seus membros criaram o projeto f/stop onde expõem fotografias selecionadas do que consideram ser “A família Fotonature”, proporcionando mais uma forma de mostrar boas imagens pelo mundo.

Eu não vou dizer que tudo é mau no mundo dos workshops de fotografia. Ultimamente tenho ouvido excelentes referências a alguns cursos que, ao que sei, são de excelência – um deles de um fotógrafo português de paisagem que é do melhor que tenho visto mesmo quando olho para fora do país. Mas quase que vos garanto que os dedos de apenas uma das minhas mãos chegarão para os enumerar. No caso da Fotonature, que conheço bem e com quem tenho convivido reiteradamente, recomendo vivamente, tanto a iniciados como a fotógrafos avançados e para aqueles que, achando que já sabem tudo, se queiram libertar de vícios e de hábitos de longa data duros de contornar.

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