A história já tem quase um quarto de século, mas precisamente no ano em que o Brasil é o anfitrião do Mundial de Futebol, mais do que merece ser relembrada. Um fotógrafo e as suas fotos poderão muito bem ter salvo a seleção canarinha de uma desclassificação sem precedentes na grande competição do mundo de futebol em 1989, quando o Brasil fazia o último jogo de qualificação com o Chile.

Faltavam 20 minutos para o jogo terminar e o Brasil vencia por 1-0. À altura, a seleção brasileira era a única equipa do mundo que nunca tinha deixado de participar num Mundial, tendo-se qualificado sempre. Num momento em que o jogo se desenrolava num dos lados do campo, forçando todas as câmaras fotográficas a seguir a jogada, do outro lado caia no relvado um foguete disparado das bancadas. Num movimento quase uníssono, todas as câmaras esquecem o lance e mudam de rumo, apontando para a outra ponta do campo, onde o guarda redes do Chile, Roberto Rojas, sangrava da cabeça deitado no chão a poucos metros do foguete. As primeiras imagens captadas concertam-se numa visão: Rojas deitado em sofrimento envolto numa nuvem de fumo.

 A seleção chilena ficou impedida de jogar na competição de 1994 e Rojas foi banido do futebol para sempre.

A tarefa de todos os fotógrafos que seguiam assim o jogo passo a passo foi interrompida. Menos a de um, que por um acaso daqueles que não se explicam, há já algum tempo que enquadrava no seu visor o cenário do distúrbio. Ricardo Alfieri captou toda a sequência em quatro ou cinco disparos, mas foi várias horas depois, quando as imagens vieram reveladas do laboratório, que todo o mistério se lançou. As fotos de Alfieri demonstravam claramente que o foguete não tocou em Rojas, que a sua queda tinha sido simulada e que havia algo de encenado no que tinha acontecido. A evidência era de tal ordem que as investigações não puderam ser evitadas, provando-se mais tarde que o guarda redes tinha feito os ferimentos nele próprio com uma lâmina de barbear que escondia na luva. O objetivo era claro: proporcionar a desclassificação do Brasil.

Graças a Ricardo Alfieri, o esquema então montado fica conhecido ainda hoje como uma das maiores fraudes de sempre da história do futebol. E o golpe de sorte do fotógrafo valeu-lhe imediatamente cinco mil dólares, o que a Globo pagou pela sequência fotográfica.

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